A saúde mental ao imigrar: O lado B da vida no exterior

Hoje, no dia mundial da luta contra a depressão, não poderia deixar de tocar em um tema tão importante e quase sempre deixado de lado a quem faz as malas sem data para voltar: A saúde mental ao imigrar.

Provavelmente você tem um amigo ou familiar que vive fora do Brasil, certo? Você o acompanha através de fotos, videos e acaba conhecendo uma pequena parte da vida no exterior.

E aí,talvez, você seja condicionado a pensar que  a grama do vizinho é sempre  mais verde, que tudo é uma maravilha, que não existe nada melhor do que morar na Europa, e ter uma vida de dar, literalmente, inveja a muita gente. Mas, será que é assim mesmo?

Se for pra sofrer que seja na Europa

Hermosa chica de pie en el aeropuerto Foto gratis

Quantas vezes já ouvi a típica frase: “Se for para sofrer, que seja na Europa”. E pasmem, também cheguei a proferir algo que eu não tinha a mínima ideia. E não, não é melhor sofrer na Europa.

O peso emocional de trocar de país e recomeçar uma vida do zero, pode vir acompanhada de muito entusiasmo, mas também de muitos momentos de vulnerabilidade.

Adaptação pesa, não ter amigos pesa, não ter familiares pesa, não ter trabalho pesa, não ter dinheiro pesa, não ter apoio pesa, perder um familiar e não poder dar o último adeus pesa.

Depois de tantos anos na Espanha, entre altos e baixos, alegrias e tristezas,  descobri que existe um lado ruim e perigoso de viver no exterior, mas que quase ninguem te conta.

O preço que se paga por viver no exterior é muito alto e ninguem tem ideia disso até sentir na pele a solidão ou nos piores casos os primeiros sintomas de patologias mentais, como a depressão, a ansiedade e o estresse crônico.

A saudade de casa aperta, os amigos já não são tão presentes, você perde momentos com sua familia, e mesmo estando feliz no lugar que você escolheu para seguir em frente, o coração já não é mais o menos. Dói, aperta, gera ansiedade , angustia e se abrem as portas para doenças físicas e psicológicas.

Por isso,  se faz tão importante cuidar da sua saúde mental antes mesmo de embarcar, e principalmente durante o processo.
Nem todo mundo provém de uma família com recursos. Trocar de país requer muita muita muita resiliência, coragem, flexibilidade e valentia.

A solidão prolongada é inimiga da saúde mental

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É você com você mesmo. E essa relação precisa ser a mais amável e estável possível. O lado B da vida no exterior é porta aberta para a depressão, ansiedade, estresse crônico e outras patologias mentais, mas quantas pessoas mesmo falam disso abertamente por aqui? Não é à toa que dizem que aqui é terra onde o filho chora e mãe não vê.

A sensação de solidão pode ser avassaladora e saber lidar com esse sentimento requer tempo, paciência e muita observação sobre suas atitudes.

Ficar triste um dia, dois ou uma semana, não é exatamente, um problema.

Mas, até os dias tristes precisam de  limites. Encarar uma vida fora do Brasil, para a grande maioria, está bem longe de ser um mar de rosas.

Ter controle emocional passa a ser um dos maiores desafios e ao mesmo tempo uma porta aberta para o autoconhecimento .É complicado!

Mas, de que maneira podemos controlar a saudade? O sentir-se só? Asolidão  pode chegar a ser  insuportável e se transformar em algo muito mais sério. E quando chega a esse ponto, é também o momento de buscar ajuda profissional. A mente adoece e o corpo também!

Viver no exterior é  subir em uma montanha-russa emocional

Se eu pudesse descrever o que é morar fora do Brasil, certamente, te diria que é subir em uma montanha russa  que tem inicio, mas nunca fim. Você tem altos e baixos, dias bons e dias ruins.

Hora tá indo tudo bem, subindo, subindo e derrepente você despenca, o coração vem na boca e o medo toma conta. A adrenalina é trocada pela ansiedade, a diversão pela frustração e parece que subir outra vez não é uma boa opção.

Sair da sua zona de conforto é ser desafiada, dia após dia, é tentar manter constantemente o equilibrio emocional para não descarrilhar.

Já perdi as conta das vezes que acordei com o coração acelerado, angustiada, com vontade de chorar, passando o dia com pensamentos negativos e pensando em fazer as malas de volta para o Brasil.

Meu dever como brasileira residente na Espanha há quase oito anos é também te falar que assim como no Brasil passamos por altos e baixos, e talvez até arriscaria dizer que aqui a gente precisa ser triplamente mais forte emocionalmente.

Se você está fazendo as malas, lembre-se de vir com a sua saúde mental em dia e mantê-la nessa grande aventura.
Você que já está aqui, passando por um momento difícil, sinta meu abraço, não há nada de errado em transitar por momentos de vulnerabilidade.

Busque por ajuda e acompanhamento de profissionais da saúde, seu bem estar será a base para que sua caminhada seja muito mais leve.

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Um super abraço e Partiu Espanha!

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